Andropogon angustatus (J. Presl) Steud. é uma gramínea nativa do Brasil com ocorrência no Cerrado, especialmente em áreas úmidas, além de registros no Norte e Nordeste do país e em outras regiões da América do Sul e Caribe. Embora tenha potencial como forrageira secundária e em restauração ecológica, há escassez de dados sobre sua germinação e emergência. Diante disso, este trabalho teve como objetivo avaliar a germinabilidade e a emergência de A. angustatus, visando conhecer suas características de recrutamento e fornecer subsídios para seu uso em projetos de restauração ecológica. As sementes foram coletadas entre abril e junho de 2024 no Vão do Moleque, Cavalcante (GO). Para a germinação, utilizaram-se 10 repetições de 10 sementes em placas de Petri com dois papéis filtro e água destilada, enquanto o teste de emergência foi realizado em marmitas transparentes com 300 g de areia lavada umedecida com água destilada com 50% da capacidade de campo, distribuindo-se 200 sementes em oito repetições. Ambos os experimentos foram mantidos em câmara de crescimento a 28 °C, fotoperíodo de 12 horas por 30 dias. Considerou-se germinadas as semestres com protrusão e curvatura da radícula e emergência a exposição da parte aérea acima do substrato. Ao final do experimento foram calculadas as porcentagens de germinabilidade e emergência e as diferenças desses parâmetros foram verificadas através do Teste U de Mann-Whitney. Os resultados indicaram germinação de 15% e emergência de 13,5% e não apresentaram diferença significativa (p=0,075). A baixa germinabilidade e emergência pode estar associada à dormência fisiológica característica do gênero, que persiste por quatro a cinco meses, ou à alta proporção de sementes vazias (2:3). Considerando que apenas (1:3) das sementes tem embrião, o teto de germinação é de 33%; assim, 15% em relação a 33% representa quase metade da germinação potencial. Apesar dos valores obtidos em condições controladas não ultrapassarem 50%, a espécie tem sido utilizada em restauração, destacando-se a necessidade de estudos adicionais sobre viabilidade, vigor, longevidade e testes em campo para otimizar seu uso. Esses dados são fundamentais para o planejamento de semeaduras em projetos de recuperação ambiental.