Ficus adhatodifolia é uma árvore nativa de ocorrência no Cerrado, utilizada na restauração ecológica para aumentar a diversidade e atrair a fauna envolvida na polinização e predação dos frutos. Apesar desse potencial, a maioria dos estudos se concentram nas suas propriedades medicinais presentes no látex extraído da casca, constando poucas informações sobre a germinação. Dessa forma, esse trabalho visa avaliar a longevidade das sementes para fornecer subsídios para a restauração através da semeadura direta. As sementes foram coletadas na Chapada dos Veadeiros - GO em 2022 e 2024, e armazenadas a 18 °C em sacos de papel e pano, até as análises em fevereiro de 2025. As sementes foram observadas em lupa para separar aquelas com sinais de predação. Para a germinação utilizou-se 100 sementes, divididas em 10 repetições, em placas de Petri com três papeis filtro umedecidos com água destilada. Para emergência utilizou-se oito marmitas plásticas transparentes com 200 g de areia, umedecida com 50% da capacidade de campo e 25 sementes em cada, dispostas sobre a areia. Ambos os experimentos foram mantidos durante 30 dias em câmara de germinação (fitotron) a 28 °C e fotoperíodo de 12 horas. O critério de germinação foi a protrusão e curvatura radicular, e da emergência a projeção da estrutura aérea acima da superfície da areia. O lote de 2022 apresentou germinação de 10% e emergência de 22%, e o de 2024 de 36% e 44%, respectivamente. Alguns aspectos podem melhorar ainda mais esse resultado; observamos que mesmo a ampliação de até 10x na lupa não foi suficiente para notar todos os sinais de predação que só foram visíveis em algumas sementes após a embebição. Havia variação na coloração das sementes, tons marrons mais escuros e claros; e durante a embebição, nas placas, a produção de mucilagem foi desuniforme, o gel era mais espesso ao redor das mais recentes e claras. Além disso, as mais escuras aparentemente germinaram menos e apresentaram mais fungos. Já na areia, a dificuldade se deu na observação, devido a semelhança da cor das sementes com a areia, e pelo cuidado para evitar que caíssem entre os grãos para o fundo. A germinabilidade encontrada foi menor do que consta na literatura; as sementes podem ser usadas na restauração, sendo necessário adequar a viabilidade no cálculo de semeadura; mas essa diferença nos dados evidencia ainda mais a necessidade de estudos sobre a fisiologia das sementes, a fim de aprimorar os processos desde a produção até o uso no campo.