Projeto Sementes do Cerrado prepara implantação dos Sistemas Agrocerratenses no Assentamento Oziel Alves III

Por Redação, em 26 de novembro de 2025

Projeto Sementes do Cerrado prepara implantação dos Sistemas Agrocerratenses no Assentamento Oziel Alves III

Em parceria com a Associação dos Produtores Agroecológicos do Alto São Bartolomeu (Aprospera), a equipe técnica da Rede de Sementes do Cerrado (RSC), realizou na última semana, uma visita técnica para acompanhar o preparo de áreas para a implantação  dos Sistemas Agrocerratenses (SACEs) no Assentamento Oziel Alves III, em Planaltina de Goiás. As ações fazem parte do projeto “Sementes do Cerrado: caminhos para o fortalecimento da cadeia de restauração ecológica inclusiva nos corredores da biodiversidade“, apoiado pelo edital Floresta Viva do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os SACEs são sistemas que integram restauração ecológica e produção agrícola, combinando espécies nativas do Cerrado com espécies agrícolas e frutíferas de interesse das famílias, em arranjos que valorizam a biodiversidade, a segurança alimentar e a geração de renda. Em vez de um modelo único, cada área está recebendo um desenho próprio, construído a partir da realidade produtiva e dos objetivos de cada família. A construção desses desenhos agrocerratenses é feita de forma participativa.

Supervisor de Restauração da RSC, João Carlos Pereira explicou que, em cada área, o sistema é planejado a partir da combinação entre plantas nativas do Cerrado, que ajudam na restauração da vegetação e o equilíbrio ecológico e cultivos agrícolas e frutíferos que garantem alimento e novas possibilidades de geração de renda para as famílias.

Segundo ele, além da parte técnica, a implantação dos sistemas vem ocorrendo em mutirões, envolvendo as famílias beneficiárias e a comunidade. “Esse formato favorece a troca de experiências, o aprendizado coletivo sobre técnicas de restauração e o fortalecimento de laços entre os agricultores”, salientou João Carlos Pereira.

Com o apoio técnico da RSC e a participação direta das agricultoras e agricultores familiares, 12 famílias assentadas irão receber os sistemas de restauração produtiva. Cada unidade contará com 0,5 hectare, somando 6 hectares de áreas degradadas em processo de recuperação. Neste ano, serão implantados três hectares e os demais em 2026. 

Assentado  pela reforma agrária e morador do Assentamento Oziel Alves,  o agrônomo e técnico local do Projeto Sementes do Cerrado, Vinícius Santos Lima, destaca que a implantação dos SACEs no assentamento combina diferentes técnicas de restauração ecológica e manejo agroecológico. “Utilizamos algumas técnicas da restauração, por meio do preparo de solo e manejo de espécies exóticas e, no plantio, será usada a técnica de muvuca com semeadura direta, com a estratégia de garantir a maior cobertura do solo por meio de espécies nativas do estrato herbáceo”, explica.

Ele acrescenta que o trabalho em campo envolve semeadura direta com muvucas em linhas acompanhando o relevo e em berços, além da peletização de sementes com biomineralizantes e fitoprotetores naturais, práticas que favorecem o estabelecimento das plantas e a proteção das sementes em condições de campo. “Também estamos priorizando o uso de sementes crioulas certificadas, como os milhos Eldorado e Sol da Manhã, bem adaptados e produtivos para o Cerrado, e fortalecendo o protagonismo de frutas e gramíneas nativas do Cerrado, tanto com mudas quanto com sementes”, complementa Vinícius.

Bacia do Pipiripau

Reconhecido pela trajetória de resistência e inovação na agricultura familiar, o Assentamento Oziel Alves III está localizado na bacia do Ribeirão Pipiripau, área considerada estratégica para o abastecimento de água do Distrito Federal e reconhecida pela Unesco por sua alta vulnerabilidade hídrica. A restauração dessas áreas contribui diretamente para a proteção dos recursos hídricos, ao mesmo tempo em que fortalece sistemas produtivos.

Com a implantação dos SACEs, o projeto Sementes do Cerrado avança na construção de uma cadeia de restauração ecológica inclusiva, que valoriza os saberes locais, fortalece a agricultura familiar e reafirma o papel das comunidades como protagonistas na conservação do Cerrado. 








































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