Restauração no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros: mais de 860 mudas plantadas em mutirões do projeto Plantando Caminhos da Água
Foram mais de 30 pessoas voluntárias — jovens, adultas, idosas e crianças...
A Araticum (Articulação pela Restauração do Cerrado), da qual a Rede de Sementes do Cerrado (RSC) faz parte como uma das organizações coordenadoras, foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship). O anúncio oficial ocorreu durante a 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, nesta quarta-feira (26).
Liderados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, os prêmios reconhecem as iniciativas de restauração mais ambiciosas e impactantes do planeta. Com essa conquista da Araticum, o Brasil torna-se o único país até o momento a receber dois títulos de Referência Mundial da Restauração — o anterior foi concedido ao Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.
“A restauração só acontece quando envolve pessoas. Ter o Cerrado reconhecido como Iniciativa de Referência da Década da Restauração da ONU mostra que nós, povos e comunidades tradicionais que cuidamos desse bioma todos os dias, promovendo a restauração de florestas, savanas e campos, deixamos de ser apenas um indicador e passamos a ser os verdadeiros protagonistas desse processo”, ressalta Fabrícia Santarém, Coordenadora da Araticum e Coletora de Sementes Geraizeira.

O pilar central da atuação da Araticum é o conceito de Restauração Inclusiva: um modelo transdisciplinar que une a ciência aos saberes ancestrais e tradicionais. Essa abordagem integra as dimensões ecológica, social e econômica para combater a exclusão socioambiental em territórios vulneráveis e assegurar uma transição justa no campo, promovendo a regeneração natural, a semeadura direta (muvuca de sementes), a restauração ecológica e os sistemas agroflorestais (SAFs) com espécies nativas.
A Rede de Sementes do Cerrado é uma das organizações fundadoras da Araticum e também uma de suas coordenadoras. “Estamos construindo juntos desde o início. A RSC é uma das organizações pioneiras em Restauração Inclusiva. Participamos da elaboração das diretrizes da Araticum, aplicamos na prática, avaliamos e devolvemos aprendizados. É muito importante que esse modelo, que tem as comunidades no centro, seja reconhecido”, afirma Anabele Gomes, presidente da RSC.
Com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, o Cerrado é a savana tropical mais biodiversa do mundo, mas já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa devido à intensa conversão e fragmentação de terras. Para combater essa emergência socioambiental, a Rede Araticum une forças como um espaço colaborativo de articulação entre organizações de base comunitária, Povos Indígenas, Quilombolas, produtores rurais, iniciativa privada, pesquisadores e instituições governamentais em nove estados brasileiros.
“Recuperar 2 milhões de hectares do Cerrado até 2030 — a meta da Araticum como rede colaborativa — exige uma aliança estratégica e multissetorial capaz de conectar capital, ciência, políticas públicas e o saber ancestral dos povos do Cerrado. A visibilidade conferida à Araticum pelo destaque como Iniciativa de Referência Mundial potencializa nossos eixos de atuação como articuladores dos atores da restauração no Cerrado, na incidência em políticas públicas, na geração de oportunidades de captação e investimento e no nosso papel mobilizador do fortalecimento de capacidades dos territórios. Além disso, pode viabilizar a conexão com apoiadores globais e nacionais para consolidar a rede e a expansão da restauração inclusiva, descentralizando investimentos e conferindo maior autonomia decisória aos povos do Cerrado”, ressalta a Secretária Executiva da Araticum, Carol Sacramento.
A atuação em rede da Araticum já apresenta resultados expressivos no bioma:
Com essa premiação, a Araticum passa a integrar o grupo de 30 iniciativas de referência global da ONU. Juntas, essas redes já somam quase 20 milhões de hectares sob restauração e possuem compromissos para recuperar 75 milhões de hectares até 2030, gerando mais de 800 mil empregos socioambientais no mundo.
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