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Rede de Sementes do Cerrado e Instituto Alok fortalecem mutirões voluntários para restaurar Vereda dos Ingleses, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Para proteger os ecossistemas que funcionam como as verdadeiras “caixas d’água” do Brasil, a Rede de Sementes do Cerrado (RSC) e o Instituto Alok apoiam e participam de mutirões voluntários entre os dias 11 e 12 de setembro, em Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros. A ação faz parte do projeto “Plantando Caminhos da Água”. A iniciativa vai contribuir para a restauração de seis hectares da Vereda dos Ingleses, localizada no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO).

No dia 11 de setembro (sexta-feira), acontece o mutirão de coleta de sementes, que será conduzido pela Associação Cerrado de Pé. A concentração será na Casa de Sementes da Cerrado de Pé, em Alto Paraíso, às 7h30. No dia seguinte (12), o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros vai receber voluntárias e voluntários na nascente do Córrego dos Ingleses (GO 239, sentido Alto Paraíso – São Jorge, após a Fazenda Volta da Serra), às 8h, para o plantio de mudas e das sementes coletadas no dia anterior. Para realizar a inscrição em cada mutirão, é necessário preencher formulários específicos para as duas atividades pela página https://sisvol.icmbio.gov.br/mutiroes-abertos.  

O projeto integra o programa Planeta Verde, do Instituto Alok, com apoio do Fundo Comunitário Airbnb, e conta com parceiros estratégicos, como a Associação Cerrado de Pé (ACP), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — por meio do Parque Nacional — e o Viveiro Escola Instituto Caminho do Meio Alto Paraíso (ICMAP).

A importância estratégica das veredas

As veredas desempenham um papel essencial na segurança hídrica do país. Elas são responsáveis por armazenar a água das chuvas e liberá-la lentamente durante a seca, abastecendo nascentes e formando as grandes bacias hidrográficas brasileiras. Quando são degradadas por incêndios, drenagem ou uso inadequado do solo, a vazão das nascentes diminui e a biodiversidade local entra em colapso.

“As veredas atuam como reguladoras da água na paisagem. Restaurar esse ambiente exige compreender como ele funciona antes mesmo do plantio. Nosso objetivo é recuperar os processos ecológicos que permitem que as veredas continuem armazenando água e cumprindo seu papel”, explica Maria Eduarda Camargo, gestora de restauração da Rede de Sementes do Cerrado.

A especialista alerta que a restauração vai muito além do plantio de árvores como o buritizeiro, uma das espécies mais consolidadas na formação das veredas cerratenses. O processo engloba também a recuperação da vegetação rasteira dos campos úmidos (gramíneas e ervas), essencial para conter erosões e garantir a infiltração da água no solo.

“O papel dos mutirões é fundamental para a recuperação das veredas. Como são ecossistemas muito sensíveis, a restauração mecanizada é inviável, o que exige um trabalho braçal, intenso e cuidadoso. Esse esforço coletivo gerado pelo mutirão é o que nos permite viabilizar o plantio e garantir a continuidade das ações ao longo do tempo, mesmo nas transições de projetos, para que o trabalho de preservação nunca pare”, acrescenta Maria Eduarda.

Impacto social e protagonismo feminino e Quilombola

Além do ganho ambiental, o projeto tem um forte pilar de impacto socioeconômico, fortalecendo a cadeia de sementes nativas. As ações envolvem a Associação Cerrado de Pé (ACP), composta por cerca de 240 coletores, sendo 77% mulheres e 80% quilombolas da comunidade Kalunga, o maior território quilombola em extensão do país.

“Ao destacar o protagonismo das comunidades, pensando junto com a gente nas técnicas de restauração e em como funcionará toda a logística, nós fazemos a verdadeira restauração inclusiva. Esse esforço conjunto na Vereda dos Ingleses ganha ainda mais relevância por estar dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, uma área essencial para a proteção do Cerrado e das nossas riquezas hídricas”, destaca Jimena Stringuetti, coordenadora Técnica e de Projetos da RSC.

Para Devam Bhaskar, diretor do Instituto Alok, a iniciativa tem um olhar integrado. “Mais do que recuperar uma nascente, este projeto busca fortalecer a relação entre pessoas, território e água. Conservar as veredas é garantir o futuro dos rios que nascem no Cerrado e gerar oportunidade de trabalho e renda para a comunidade”, afirma.

Claudomiro Cortes, representante da Associação Cerrado de Pé (ACP), reforça o valor do conhecimento tradicional nesse processo. “A restauração começa na coleta das sementes, no conhecimento que as comunidades têm sobre cada espécie e no cuidado com o território. Participar de um projeto como esse fortalece nossa associação e mostra que as comunidades tradicionais têm um papel fundamental na recuperação do Cerrado”.

Com o apoio do Fundo Comunitário do Airbnb ao Instituto Alok e ao Programa PLANETA VERDE, o Airbnb reforça apoio à geração de impacto positivo e duradouro através de projetos que promovem a recuperação do meio ambiente e o empoderamento das comunidades locais. A plataforma celebra o projeto Plantando o Caminho das Águas.

Serviço

Mutirões do projeto Plantando Caminhos da Água
Coleta de sementes:
11/09 (sexta), às 7h30
Local: Casa de Sementes da Cerrado de Pé, em Alto Paraíso
Inscrições: https://sisvol.icmbio.gov.br/mutiroes-abertos
Limite de 25 participantes 

Plantio de sementes e mudas: 12/09 (sábado), às 8h
Local: Nascente do Córrego dos Ingleses (GO 239, sentido Alto Paraíso – São Jorge, após a Fazenda Volta da Serra).
Inscrições: https://sisvol.icmbio.gov.br/mutiroes-abertos

Obs: As inscrições para ambas as atividades são realizadas separadamente, no mesmo link. Os participantes devem ir de calça, sapato fechado, camisa de manga longa e chapéu, além de aplicar protetor solar e repelente. Também é muito importante levar garrafa de água e lanches leves, que possam ser consumidos durante a atividade.

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