As mudanças climáticas potencializadas pelas ações antrópicas podem resultar na elevação da temperatura média global, afetando as plantas. A temperatura, fator-chave na germinação, influencia a capacidade das sementes de germinar, desde que não haja dormência e esteja dentro da faixa adequada para cada espécie. Analisamos o efeito da temperatura e o tempo de armazenamento na taxa de germinação de sementes de Schizachyrium sanguineum (Retz.) Alston (Poaceae). As sementes foram coletadas em 2022 na Chapada dos Veadeiros - GO, situada no bioma Cerrado, que se caracteriza por acentuada sazonalidade climática e variação de temperaturas médias de 18°C a 27°C entre diferentes regiões. As sementes foram armazenadas por sete meses (A7) e por 18 meses (A18) em sala climatizada a 20ºC, e durante o experimento foram submetidas a temperaturas constantes nos 24 tratamentos que variaram de 7°C a 43°C, tendo aproximadamente 2°C de diferença entre cada, onde foram montadas cinco réplicas em tubos com 20 sementes sobre papel filtro, em cada temperatura, por um período de 30 dias, com ausência de luz, em um bloco de termogradiente no Laboratório de Termobiologia na UnB. A espécie apresentou germinação para A7, de 12°C a 41°C e temperatura ótima de 37°C com 17% de germinação; e para A18, de 12°C a 41 °C e temperatura ótima de 34°C com 26% de germinação. O efeito foi significativo para a perda da viabilidade em temperaturas extremas não havendo germinação em temperaturas maiores que 41°C e menores do que 12 °C. Os testes demonstraram maior germinabilidade para sementes armazenadas por mais tempo, porém menor resistência a temperaturas mais altas, pois apesar da manutenção da amplitude térmica, a germinabilidade diminuiu nas temperaturas maiores que a ótima, reduzindo em 53% na temperatura 37 ºC, quando comparado com A7. O tempo médio de germinação (TmG) foi menor perto da temperatura ótima e maior nas temperaturas extremas; as sementes com maior tempo de armazenagem apresentaram, no geral, o TmG menor, com redução de 19% na temperatura ótima. A exploração dos limites fisiológicos das espécies é fundamental para compreender como as mudanças climáticas irão afetar a vegetação existente, e como restaurar áreas hoje degradadas, de forma resiliente, com escolhas orientadas, aproveitando da melhor forma o potencial de cada espécie, considerando também quais dessas resistirão aos cenários climáticos futuros.