Com o aumento das taxas de degradação ambiental, esforços são necessários para acelerar a restauração dos ecossistemas. Uma das técnicas utilizadas nesse processo é a semeadura direta, que apresenta altos índices de estabelecimento e menor custo quando comparada a métodos alternativos, entretanto muitos parâmetros podem influenciar o sucesso da germinação em campo. Sendo assim, o objetivo deste trabalho é avaliar como, ou se, a profundidade em que as sementes são enterradas, relacionada com a temperatura do solo a qual são submetidas, é determinante para o sucesso da semeadura de duas espécies nativas do Cerrado: Hymenaea courbaril L. e Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne. O experimento foi realizado em área de Cerrado degradado com solo exposto dentro do perímetro do Laboratório de Termobiologia da UnB, a fim de simular áreas de restauração. Para cada espécie, as sementes foram enterradas em 10 covetas equidistantes e nas profundidades de 5 cm e 10 cm, divididas em duas colunas de acordo com a profundidade, totalizando 40 covetas. Em cada repetição foram utilizadas três sementes, totalizando 60 sementes por espécie, dispostas de forma alternada, a fim de gerar variabilidade de luz e, assim como os iButtons enterrados em ambas as profundidades para aferir a temperatura diariamente. As sementes foram desenterradas após 90 dias e contabilizadas como: Germinadas Emergidas (GE), Germinadas Predadas (GP), Não Germinadas (NG) e Desaparecidas (D). A temperatura na profundidade de 5 cm variou entre 20-42,5 oC e na de 10 cm variou entre 20,5-41 oC. A germinação de H. courbaril em profundidade de 5 cm foi: 3,33% GE; 23,34% GP; 53,33% NG e 20% D; em profundidade de 10 cm foi: 1 3,33% GE; 23,33% GP; 56,67% NG e 16,67% D. Já a germinação de H. stigonocarpa em profundidade de 5 cm foi: 13,34% GE; 33,33% GP; 3,33% NG e 50% D; e em profundidade de 10 cm foi: 6,67% GE; 26,67% GP; 6,66% NG e 60% D. Foi observado nas duas espécies um estabelecimento relativamente baixo, mas semelhante nas duas profundidades, cujas variações de temperatura não aparentam afetar a germinação. Sendo assim, a profundidade de 5cm pode não influenciar tanto o estabelecimento dessas espécies, mas torna o plantio mais proveitoso e menos laborioso. O alto índice de sementes de H. stigonocarpa desaparecidas pode ser explicado pelos grandes níveis de predação observados em ambas as espécies, o que evidencia uma das possíveis dificuldades do desenvolvimento de plantas em campo.