O incremento da temperatura atmosférica advindo das mudanças climáticas pode aumentar ainda mais a temperatura do solo. Consequentemente, temperaturas mais elevadas podem afetar o processo germinativo e viabilidade em sementes. O objetivo deste trabalho foi investigar de que forma a exposição do banco de sementes de gramíneas nativas a temperaturas elevadas, sobretudo nos momentos mais quentes do dia, interfere na germinabilidade e na velocidade de germinação. Foram obtidas sementes de três espécies nativas do Cerrado de ampla distribuição (Aristida longifolia Trin, Aristida riparia Trin e Loudetiopsis chrysothrix (Ness) Conert). As coletas ocorreram na Chapada dos Veadeiros – GO, no período de maio a julho, em formações campestres e os dados sobre o aquecimento atual diário do solo nessa região foram retirados da literatura. Com isso, foram estimadas as temperaturas projetadas em dois cenários de mudanças climáticas (intermediário e pessimista). As sementes foram submetidas a três temperaturas durante as sete horas mais quentes do dia (45°C, 49°C e 52°C) e mantidas à 20°C nas horas restantes. Os tratamentos foram comparados com um experimento controle (28°C). Foram avaliadas as variáveis: Germinabilidade, Tempo Médio de Germinação (TMG) e Índice de Velocidade de Germinação (IVG). A. longifolia não apresentou diferença significativa na germinabilidade (80 - 91%), mas as temperaturas 45°C e 49°C germinaram mais rapidamente (TMG: 89h) em relação ao controle (TMG: 117h). A. riparia apresentou diferença apenas no TMG, onde 52°C induziu uma germinação mais lenta (136h) do que 45°C (104h). L. chrysothrix expressou aumento na germinabilidade e no IVG, respectivamente, nas condições controle (59% e 2,8), 45°C (78% e 7,4), 49°C (78% e 6,9) e 52°C (76% e 6,3) e uma germinação mais concentrada nas 3 temperaturas (TMG: 84h – 90h) quando comparadas ao controle (202h). Os tratamentos não diferiram estatisticamente entre si, com exceção de A. riparia. As diferenças entre os tratamentos e os controles sugerem que os estresses térmicos sofridos pelo banco de sementes provocam mudanças no processo germinativo, podendo acelerar ou retardar a velocidade de germinação. As espécies estudadas aqui tiveram sua viabilidade mantida nas temperaturas projetadas e devem ser consideradas em projetos de restauração, pois mostraram-se resistentes em um contexto de mudanças climáticas.