A coleta de sementes nativas de base comunitária fornece um insumo chave para a restauração ecológica. Este trabalho buscou levantar indicadores ecológicos e socioeconômicos para entender os impactos dessa atividade. Além de dados sobrea coleta e cadastro de coletores entre 2017 e 2023, foram analisadas a diversidadede espécies e a renda gerada às comunidades entre 2020 e 2023. A produção de sementes é realizada pela Rede de Sementes do Cerrado e Associação Cerrado de Pé, que iniciaram, em conjunto, a comercialização de sementes nativas do Cerrado coletadas no Nordeste Goiano. Um total de 139 espécies foram produzidas: 19 capins,7 ervas, 3 trepadeiras, 5 palmeiras, 28 arbustos e 77 árvores. No período analisado, a produção de sementes foi superior a 72 toneladas. As coletas foram realizadas em 25comunidades e 5 municípios da Chapada dos Veadeiros, incluindo três assentamentos de reforma agrária e 14 comunidades do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga,onde residem atualmente 77% dos coletores. O quantitativo de coletores aumentou de 15 (2017) para 159 (2023), com ampliação da participação de mulheres de 6,7% (2017) para 66% (2023). Foram repassados R$ 1.825.230,00 aos coletores. Além dosbenefícios ecológicos, esses resultados ressaltam uma perspectiva inovadora com inclusão de espécies que até então não estavam disponíveis para a restauração, como capins e ervas, e ainda os ganhos socioeconômicos, visto que o crescimento da produção de sementes nos últimos sete anos tem gerado renda, com expressiva participação feminina, e valorizado povos e comunidades tradicionais.