Painel na COP30 destaca importância da autonomia das comunidades na restauração socioambiental

Por Redação, em 24 de novembro de 2025

Painel na COP30 destaca importância da autonomia das comunidades na restauração socioambiental

Liderança feminina tem papel decisivo na continuidade das atividades e no fortalecimento da cadeia da restauração ecológica

Foto : Lia Domingues

A programação da COP30, em Belém (PA), recebeu nesta quarta-feira (19) o painel Sementes do Amanhã: Restauração ecológica e protagonismo comunitário na Amazônia, promovido pela Black Jaguar Foundation, que apoia a rede de sementes Ressemear articulado ao Redário. O encontro reuniu organizações que atuam na base da restauração ecológica com espécies nativas, com foco no fortalecimento de modelos liderados por comunidades locais. Participaram representantes Redário / Instituto Socioambiental e das redes articuladas Ressemear, Cerrado e Sementes do Paraíso.

Madalena Izabel Sousa Ferreira, coletora e restauradora da Rede Sementes do Paraíso, reforçou a importância de ser reconhecido o papel estratégico de coletoras e coletores na cadeia da restauração. Ela destacou que, embora a maioria das pessoas envolvidas na coleta seja dos territórios, o acesso a espaços de liderança ainda é restrito. 

“Muitas vezes as comunidades não lideram projetos e isso é uma dificuldade porque a gente deixa de ser autora. A gente recebe os projetos e a gente vira números desses projetos. Porque falam-se que os coletores, as comunidades são a base, mas a pirâmide está invertida. Eu vejo que as comunidades têm que ter essa autonomia”, ponderou.

Por outro lado, Madelena compartilhou exemplos concretos de como a restauração tem sido conduzida de forma realmente inclusiva, com processos que colocam as comunidades no centro das decisões e das ações. 

NÃO APENAS NÚMEROS – “A gente está agora participando de um projeto pela Araticum e pela Rede de Sementes do Cerrado, que é a restauração inclusiva. E somos nós, comunidades, que estamos fazendo a restauração. Então, nós propomos os projetos, temos a leitura da paisagem, montamos o projeto, fazemos a seleção dessas espécies e executamos. Então, para mim, começa com esse tipo. A gente passa a fazer parte, não ser apenas números”, acrescentou.

Ao refletir sobre os caminhos para fortalecer o protagonismo comunitário, ela ressaltou que a inclusão não se limita à participação técnica na restauração. Segundo Madalena, a valorização das comunidades precisa ser prática e contínua, garantindo condições reais para que coletoras e coletores permaneçam em seus territórios e tenham seu trabalho reconhecido de maneira justa. Ela destacou que é essencial ter um olhar verdadeiro para as comunidades e reforçou a importância de atuar em rede. “A gente faz parte do Redário e a gente é o Redário, porque essa articulação ajuda a organizar o coletivo e fortalecer nossa atuação. E não existe competitividade entre as redes, porque a gente acredita na força da coletividade”, concluiu.

PROTAGONISMO FEMININO – Kátia Demeda, técnica do Redário / Instituto Socioambiental, falou sobre o protagonismo feminino na restauração. Segundo ela, muitas mulheres são responsáveis por iniciar os processos de coleta, mobilizar suas famílias e demonstrar que a atividade pode gerar renda, qualidade de vida e fortalecimento comunitário. 

Kátia explicou que, dentro da cultura tradicional, as ações acontecem em família e a liderança feminina tem papel decisivo na continuidade das atividades. A cada mulher que mobiliza seus parentes, novas famílias entram na coleta, ampliando o volume de sementes e fortalecendo toda a cadeia da restauração ecológica.

O painel Sementes do Amanhã mostrou que a restauração ecológica avança quando comunidades lideram projetos, quando mulheres assumem posição central e quando redes colaborativas fortalecem a autonomia local. A discussão reforçou que restaurar ecossistemas significa também restaurar relações, garantir permanência no território e reconhecer quem sustenta, na prática, a transformação das paisagens.


Redação


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