A germinação não garante o estabelecimento de plântulas. No Cerrado, a dispersão ocorre na seca e a germinação com as chuvas; atrasos aumentam a mortalidade, tornando o armazenamento e o plantio na estação chuvosa estratégicos. Embora a legislação defina padrões, testes laboratoriais nem sempre refletem o desempenho em campo. Aristida riparia destaca-se na restauração, mas há incertezas sobre a viabilidade de suas sementes armazenadas. Este estudo avaliou a longevidade de sementes da gramínea nativa do Cerrado Aristida riparia Trin, relacionando o tempo de armazenamento ao Índice de Velocidade de Emergência (IVE) e ao vigor das plântulas. As sementes usadas foram coletadas pela Associação Cerrado de Pé e distribuídas pela Rede de Sementes do Cerrado, foram armazenadas em sacos de papel no Laboratório de Termobiologia na UnB. O experimento foi inteiramente casualizado, com oito repetições de 25 sementes por lote. As sementes foram dispostas em areia úmida sob luz natural (25–31 °C). Os testes de pureza mostraram variação entre anos (10% a 50%), e o peso de mil sementes (PMS) variou de 0,499 a 1,029 g. O IVE foi mais alto em 2024 (6,81), indicando emergência rápida e uniforme. Em 2023 (1,68) e 2022 (2,12), e em 2021 (0,14) quase nulos, evidenciando perda de viabilidade após dois anos. As plântulas de 2024 apresentaram maior peso fresco (0,016 g) e seco (0,014 g), indicando maior vigor. Em 2022, embora o IVE tenha sido baixo, as plântulas mostraram bom desenvolvimento individual (26,8 mm). Já 2021 e 2023 tiveram baixa representatividade amostral e baixo peso, refletindo sementes pouco viáveis. Conclui-se que A. riparia perde vigor e viabilidade após um ano, tornando-se praticamente inviável após dois anos de armazenamento. Recomenda-se, portanto, o uso de sementes recém-coletadas, a fim de garantir maiores taxas de emergência e estabelecimento de mudas.