Restauração no Sertão Zen mobiliza parceiros e avança na recuperação de área degradada no Cerrado
A restauração ecológica no Sertão Zen, localizado no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV), segue avançando e já tem novos passos previstos. Para o mês de abril, está programada a segunda ação de plantio do projeto “Sementes do Cerrado: caminhos para o fortalecimento da cadeia de restauração ecológica inclusiva nos corredores da biodiversidade”, além da articulação de um curso preparatório voltado a brigadistas, guias e voluntários. A iniciativa busca ampliar a capacidade local de atuação em restauração e manejo do fogo, fortalecendo o engajamento das comunidades e parceiros.
A nova etapa dá continuidade às ações iniciadas em fevereiro, quando foi realizada a primeira intervenção de plantio na área. A atividade marcou o início de uma nova frente de restauração no Sertão Zen e aconteceu em uma trilha desativada, escolhida por oferecer melhores condições de acesso e manejo, mesmo em período de chuvas.
Além da equipe da Rede de Sementes do Cerrado (RSC), executora do projeto, a ação contou com o engajamento de parceiros e voluntários, reunindo esforços da Associação Caminho dos Veadeiros, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da VerdeNovo Sementes e de colaboradores que atuaram diretamente nas atividades em campo. A mobilização coletiva reforça o papel das redes de cooperação na restauração ecológica e no fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis no Cerrado.
Planejamento
De acordo com Augusto Coelho, gerente de restauração do projeto, durante a atividade foram aplicadas diferentes técnicas voltadas à recuperação da área e à desativação efetiva da trilha. “Entre as estratégias adotadas estão o bloqueio do acesso com galhos, sinalizando o desuso do caminho; a contenção de processos erosivos por meio da construção de barreiras com troncos e galhadas; e a proteção do solo exposto com o plantio de touceiras transplantadas de áreas nativas próximas, além da deposição de leivas para favorecer a regeneração da vegetação”, explicou.
“Ao todo, foram implantadas diversas estruturas de contenção com materiais disponíveis no local e realizado o plantio de 475 touceiras, contribuindo para reduzir o impacto direto da chuva, estabilizar o solo e acelerar o processo de recuperação da cobertura vegetal”, detalhou o gerente de restauração.
O projeto
Financiado pelo Edital Corredores da Biodiversidade, da Iniciativa Floresta Viva, o projeto vai muito além da recuperação ambiental. A proposta busca promover a inclusão social, valorizar o conhecimento tradicional, fortalecer a economia local e reconhecer o protagonismo das comunidades na conservação do bioma. Ao longo de 48 meses, a RSC conduzirá ações de restauração ecológica com foco na mobilização comunitária e na geração de renda por meio da cadeia de sementes nativas.
O projeto é financiado pelo Edital Corredores da Biodiversidade, da Iniciativa Floresta Viva, promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A iniciativa tem como objetivo apoiar projetos de restauração ecológica em diferentes biomas brasileiros, contando com o apoio da Petrobras e do FUNBIO como parceiro gestor.