As mudanças climáticas potencializadas pelas ações antrópicas podem resultar na elevação da temperatura média global, afetando as plantas, que se adaptam morfologicamente e fisiologicamente para sobreviver e se reproduzir. A temperatura, fator-chave na germinação, influencia a capacidade das sementes de germinar, desde que não haja dormência e esteja dentro da faixa adequada para cada espécie. Em fitofisionomias abertas como campos e savanas, a falta da camada de dossel aumenta a exposição à luz e ao calor, gerando variações térmicas. Dessa forma, as espécies evoluíram moldadas pelas condições ambientais da sua fitofisionomia nativa. Assim, analisamos o efeito da temperatura na taxa de germinação de Andropogon fastigiatus Sw., Aristida longifolia Trin., Aristida riparia Trin., Loudetiopsis chrysothrix (Nees) Conert e Schizachyrium sanguineum (Retz.) Alston.
As sementes foram coletadas na Chapada dos Veadeiros, Goiás; situado no bioma Cerrado que caracteriza-se por acentuada sazonalidade climática, e variação de temperaturas médias de 18°C a 27°C entre diferentes regiões. As sementes foram submetidas a temperaturas constantes nos 24 tratamentos que variaram de 7°C a 43°C, tendo aproximadamente 2°C de diferença entre cada, onde foram montadas 100 sementes em cada temperatura por um período de 30 dias com ausência de luz em um bloco de termogradiente no Laboratório de Termobiologia na Universidade de Brasília. A germinação foi verificada diariamente. Foram consideradas germinadas sementes que apresentaram protrusão da radícula, juntamente com curvatura da mesma. Finalizado os experimentos, foram calculadas as medidas de germinabilidade (G) e de tempo médio de germinação (TmG).
O A. fastigiatus apresentou germinabilidade entre 12 a 39°C, com temperatura ótima de 17 e 29°C com 9% de germinação; A. longifolia entre 10 a 43°C, sendo a temperatura ótima de 22ºC com 69% de germinação; A. riparia entre 10 a 43°C e temperatura ótima de 25°C com 69% de germinação; já L. chrysothrix entre 9 a 43°C, com a temperatura ótima de 32°C com 53% de germinação; e S. sanguineum entre 12 a 40°C e temperatura ótima de 36°C com 17% de germinação. O efeito de altas temperaturas foi significativo para a perda da viabilidade das sementes de A. fastigiatus e S. sanguineum, não tendo sobrevivido com temperaturas maiores que 39°C. S. sanguineum é uma espécie de germinação lenta, o tempo médio vai crescendo concomitantemente com a temperatura até exceder a duração estabelecida para o experimento a 39°C. Por sua vez, A. longifolia e L. chrysothrix apresentam germinação rápida em temperaturas ótimas (TmG < 200h). A. longifolia apresentou uma média de 60% de germinabilidade entre 15 e 34°C.
Explorar os limites fisiológicos das espécies é fundamental para compreender a reação das mesmas às alterações ambientais, tendo em vista a urgência de esclarecer como futuras mudanças climáticas poderão afetar a vegetação existente, principalmente no Cerrado, que está sob risco iminente de perda de parte de sua biodiversidade.