A Rede de Sementes do Cerrado (RSC) inicia uma nova fase em sua história com o projeto “Sementes do Cerrado: caminhos para o fortalecimento da cadeia da restauração ecológica inclusiva nos corredores da biodiversidade”. Financiado pelo Edital Corredores da Biodiversidade da Iniciativa Floresta Viva, o projeto visa restaurar 200 hectares em áreas estratégicas do Cerrado. Os esforços se concentrarão nos corredores de biodiversidade da RIDE DF-Paranaíba-Abaeté, Sertão Veredas-Peruaçu, Serra do Espinhaço e Veadeiros-Pouso Alto-Kalunga, abrangendo o Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais.
Com o objetivo de promover a inclusão social, fortalecer a economia local e destacar o papel das comunidades na conservação do Cerrado, a RSC executará o projeto nos próximos 48 meses, com foco na restauração inclusiva, mobilização comunitária e na capacitação de lideranças locais.
Segundo a presidente da RSC, Anabele Gomes, as atividades irão envolver diretamente coletores de sementes e restauradores comunitários, com atenção especial à inclusão de mulheres e jovens. “Mais do que restauração ecológica, este projeto busca continuar transformando a relação das comunidades com o Cerrado, gerando renda e promovendo igualdade, um trabalho que já vem sendo realizado pela RSC”, explicou.
“O projeto envolverá diretamente quatro grupos de coletores de sementes e restauradores comunitários: a Associação Cerrado de Pé, em Goiás; os Coletores Geraizeiros, em Minas Gerais; a Associação dos Produtores Agroecológicos do Alto São Bartolomeu (APROSPERA), no Distrito Federal; e a Cooperativa dos Agricultores Familiares e Agroextrativistas do Vale do Peruaçu (COOPERUAÇU), também em Minas Gerais. Esses grupos irão desempenhar um papel fundamental no fornecimento de sementes nativas e na execução da restauração”, acrescentou a presidente.
Vale lembrar que o Floresta Viva é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinada a apoiar projetos de restauração ecológica nos biomas brasileiros. O Edital Corredores da Biodiversidade da Iniciativa Floresta Viva conta com o apoio do BNDES e da Petrobras, tendo o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como parceiro gestor.
A semeadura direta será a estratégia central para a restauração de áreas degradadas, sendo complementada por outras abordagens, como o plantio de mudas, o transplante de touceiras e a implantação de quintais produtivos (Sistemas Agrocerratenses). “Além disso, serão adotadas outras tecnologias já trabalhadas no contexto das comunidades locais, integrando saberes tradicionais e práticas convencionais. O objetivo é enfrentar desafios como a conservação do solo, a retenção de água, a inserção de espécies nativas e o controle de espécies exóticas. Essas ações têm como finalidade ampliar a biodiversidade e fortalecer os serviços ecossistêmicos”, acrescenta Maria Eduarda Camargo, Supervisora de Restauração do projeto.
O fortalecimento econômico também será estimulado por meio de diagnósticos participativos, parcerias com instituições públicas e privadas e apoio técnico a produtores rurais.
A capacitação é um dos pilares do projeto. “Ao longo dos quatro anos, serão realizados encontros regionais e treinamentos voltados para grupos comunitários, instituições do setor ambiental e gestores públicos. Diagnósticos da produção de sementes ajudarão a melhorar a qualidade dos insumos e a diversificar as espécies nativas, com a meta de incluir ao menos dez novas espécies no mercado”, destacou Anabele Gomes.
Além disso, o projeto investirá em inovação e pesquisa. Estudos sobre a fisiologia das sementes e estimativas de carbono irão potencializar os impactos positivos da restauração.
A restauração será acompanhada por um rigoroso monitoramento, com visitas de campo e coleta de dados para avaliar os resultados. “Nosso compromisso vai além de restaurar 200 hectares. Queremos transformar realidades, fortalecer comunidades e garantir um futuro sustentável para o Cerrado. O Projeto Floresta Viva é uma combinação de ciência, tradição e parcerias para proteger um bioma fundamental ao Brasil e ao mundo”, conclui a presidente da RSC.
Foto: Luana Santa Brígida
Publicado em 25/02/2025