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SOBRE 2026: RSC destaca restauração inclusiva e socioprodutiva como estratégia para fortalecer comunidades e restaurar o Cerrado

A restauração ecológica pode ir muito além da recuperação da vegetação. Quando planejada de forma participativa e conectada às realidades dos territórios, ela fortalece comunidades, gera trabalho e renda, valoriza conhecimentos tradicionais e amplia a resiliência frente às mudanças climáticas. Essa foi a principal mensagem da palestra “Restauração Inclusiva como mecanismo para a restauração socioprodutiva no Cerrado”, ministrada pela gestora de Restauração da Rede de Sementes do Cerrado (RSC), Maria Eduarda Camargo, e pela coletora de sementes da Rede de Sementes do Paraíso, Madalena Ferreira, durante a oficina “Restauração Socioprodutiva no Cerrado e na Caatinga: caminhos para a inclusão, resiliência e justiça climática”, realizada nesta quinta-feira (30), na VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026).

Na apresentação, Maria Eduarda Camargo e Madalena Ferreira compartilharam experiências que demonstram como a restauração inclusiva e socioprodutiva integra conservação da biodiversidade, fortalecimento comunitário e desenvolvimento territorial.

Ao apresentar os princípios da restauração inclusiva, a gestora de Restauração da RSC ressaltou que essa abordagem se baseia no engajamento de diferentes grupos locais, na integração entre conhecimentos científicos e tradicionais, na construção participativa das decisões, no respeito às dinâmicas dos territórios e na distribuição justa dos benefícios gerados pela restauração. “Temos insistido muito nessa questão porque vemos, na prática, que a restauração valoriza os saberes locais, torna as ações mais resilientes no longo prazo, gera renda e contribui para a permanência das comunidades em seus territórios. Foi muito interessante ver esse tema sendo discutido durante a SOBRE, porque reforça o trabalho que já desenvolvemos”, reforçou Maria Eduarda.

Maria Eduarda também apresentou o trabalho desenvolvido pela RSC nos corredores de biodiversidade do Cerrado, onde projetos de restauração têm promovido a participação ativa das comunidades locais. Entre as ações destacadas estão o fortalecimento de organizações comunitárias, a assistência técnica continuada, a inclusão de jovens e a promoção da equidade de gênero nas iniciativas de restauração. “Hoje atuamos com a restauração inclusiva na execução de projetos, trazendo as comunidades como protagonistas de todo o processo. Elas não apenas participam da restauração, mas estão presentes em todas as etapas, desde o diagnóstico e o planejamento até a tomada de decisão e a execução das ações. É esse modelo que estamos adotando em cerca de 1.200 hectares”, acrescentou.

O protagonismo das comunidades também foi evidenciado por Madalena Ferreira ao detalhar o trabalho desenvolvido pela Rede de Sementes do Paraíso, na região do Alto Rio Pardo, no norte do estado de Minas Gerais. “A restauração ecológica transforma os territórios porque, por meio das sementes, gera renda e fortalece o protagonismo das comunidades envolvidas. Nosso trabalho abrange toda a cadeia, desde a coleta de sementes até os plantios. Ao reunir todo esse conhecimento, também promovemos ações de educação ambiental com crianças das escolas. Elas visitam o nosso espaço para conhecer as sementes e compreender a importância das nascentes, da vegetação nativa e da conservação da natureza”, exemplificou Madalena.

Tecnologias Sociais na restauracao e resiliência climática 

A oficina reuniu experiências do Cerrado e da Caatinga para mostrar como tecnologias sociais desenvolvidas por agricultores, comunidades e organizações vêm contribuindo para a restauração ecológica. Entre os temas abordados estiveram soluções voltadas ao enfrentamento da seca, da escassez de água e dos desafios relacionados à desertificação, evidenciando o potencial dessas iniciativas para promover maior resiliência nos territórios.

Madalena Ferreira compartilhou uma experiência desenvolvida pelo grupo a partir do aproveitamento dos resíduos gerados no beneficiamento de frutos e sementes. Segundo ela, o material passou a ser utilizado na produção de composto orgânico empregado como substrato para a semeadura direta, reduzindo custos e melhorando o desenvolvimento das sementes. “Tivemos a ideia de aproveitar os resíduos do beneficiamento desses frutos para iniciar um processo de compostagem. O composto produzido passou a ser utilizado como substrato para as nossas sementes e percebemos uma melhora significativa nos resultados. Assim, as sementes já seguem com um substrato mais adequado ao seu desenvolvimento. Além disso, essa prática também gera economia, porque aproveitamos um material que antes seria descartado, reduzindo os custos da restauração”, contou.

Inovações

Outro destaque da oficina foi a valorização das inovações territorializadas. Maria Eduarda apresentou iniciativas adotadas em projetos de restauração executados pela RSC, como os Sistemas Agrocerratenses (SACEs), que conciliam a restauração ecológica com a produção de alimentos e a geração de renda, demonstrando como a recuperação de áreas degradadas pode fortalecer a segurança alimentar e ampliar as oportunidades para as comunidades locais. “Em vez de adotar soluções padronizadas, a RSC defende o desenvolvimento de metodologias construídas junto às comunidades, considerando as características ecológicas, culturais e sociais de cada território. A restauração ecológica não deve seguir uma ‘receita de bolo’, mas sim incorporar tecnologias sociais e soluções locais capazes de responder aos desafios específicos de cada região”, completou.

Encerrando a palestra, Maria Eduarda destacou que enfrentar desafios globais, como a crise climática e a perda da biodiversidade, exige soluções construídas nos territórios, com protagonismo das pessoas e das comunidades que vivem e cuidam do Cerrado. “A restauração inclusiva coloca as comunidades no centro das estratégias de conservação e desenvolvimento, promovendo benefícios ambientais, sociais e econômicos de forma integrada”, finalizou.

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