SOBRE 2026: RSC apresenta aplicativo RADIS para fortalecer o monitoramento da restauração ecológica
A Rede de Sementes do Cerrado (RSC) apresentou, nesta terça-feira (28), durante a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026), a plataforma RADIS Cerrado (versão 2), ferramenta desenvolvida para fortalecer o monitoramento de áreas em restauração ecológica. A apresentação integrou a sessão “Saiba Mais – Desafios e caminhos para a expansão do uso de aplicativos móveis no monitoramento da restauração”, realizada no Instituto Central de Ciências (ICC) da Universidade de Brasília (UnB).
O RADIS reúne, em uma única plataforma, informações coletadas em campo que permitem acompanhar o desenvolvimento das áreas restauradas, apoiar a tomada de decisões e qualificar o planejamento das ações de restauração. A ferramenta foi criada pelo CEGAFI UNB e relançada em parceria com a RSC para facilitar o registro e a organização dos dados por equipes técnicas, restauradores e parceiros envolvidos na implementação e no acompanhamento dos projetos.
A apresentação foi conduzida pela Gestora de Restauração da RSC, Maria Eduarda Camargo, que compartilhou a experiência da organização na construção e utilização da plataforma, destacando seus avanços, desafios e perspectivas para ampliar o uso de tecnologias voltadas à restauração ecológica.
Durante a apresentação, Maria Eduarda ressaltou que a tecnologia é uma importante aliada, mas que sua efetividade depende da participação das pessoas e do fortalecimento das capacidades locais. “O aplicativo é uma ferramenta que facilita o trabalho de monitoramento, mas ele não substitui o conhecimento técnico nem a experiência das equipes em campo. Para que a tecnologia gere resultados, é fundamental investir em capacitação, aprimoramento contínuo e na construção coletiva das soluções”, pontuou.
Maria Eduarda também apontou os principais desafios para a evolução da plataforma, entre o aprimoramento das ferramentas de análise e visualização de dados e a necessidade de garantir financiamento contínuo para inovação, manutenção e melhorias do sistema.
Outro ponto abordado foi a importância de desenvolver tecnologias que dialoguem com diferentes públicos envolvidos na restauração ecológica. “Precisamos construir ferramentas que atendam tanto pesquisadores quanto organizações comunitárias. A tecnologia só faz sentido quando fortalece quem está restaurando o território e consegue permanecer útil ao longo do tempo”, acrescentou.
A apresentação também provocou reflexões sobre a integração entre diferentes plataformas de monitoramento, o uso dos dados e informações geradas e a interoperabilidade dos sistemas e a necessidade de ampliar a representação dos ecossistemas campestres e savânicos nas ferramentas digitais utilizadas pela restauração brasileira.