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Troca de saberes fortalece a restauração de campos úmidos na Chapada dos Veadeiros

 Durante três dias de imersão, brigadistas, guias, gestores de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), pesquisadores, moradores da Chapada dos Veadeiros e representantes de instituições públicas e organizações da sociedade civil se reuniram em Alto Paraíso de Goiás (GO) para trocar experiências sobre Restauração de Campos Úmidos e o Manejo Integrado do Fogo (MIF).

Realizada entre os dias 20 e 22 de julho, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV), a formação integrou as ações do projeto Sementes do Cerrado: caminhos para o fortalecimento da cadeia da restauração ecológica inclusiva nos corredores da biodiversidade, executado pela Rede de Sementes do Cerrado (RSC). A iniciativa aconteceu em parceria com a VerdeNovo Sementes, Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (ICMBio), Associação Amigos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (AVE), Caminho dos Veadeiros e Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Alto Paraíso de Goiás (Semma).

A atividade foi construída como um espaço de diálogo entre diferentes saberes, reunindo profissionais que atuam diretamente na conservação do território para fortalecer estratégias integradas de restauração ecológica, proteção dos recursos hídricos e prevenção de incêndios florestais.

A programação combinou momentos teóricos e atividades práticas. No primeiro dia, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre o Manejo Integrado do Fogo e sua importância para a conservação dos ecossistemas savânicos. O segundo dia foi dedicado à restauração de campos úmidos, abordando conceitos, desafios e experiências desenvolvidas na Chapada dos Veadeiros. Já o terceiro dia levou o grupo à RPPN Campos Úmidos, onde foram realizadas atividades de campo voltadas à observação da vegetação, identificação de espécies características desses ambientes e discussões sobre técnicas de restauração.

Organizadora do curso, Bárbara Pachêco da VerdeNovo Sementes, destacou que a iniciativa nasceu da necessidade de fortalecer uma rede de pessoas capazes de atuar na conservação desses ambientes estratégicos para o Cerrado. “Nosso objetivo foi impulsionar e capilarizar as ações de restauração de campos úmidos na Chapada dos Veadeiros. A restauração não acontece apenas quando plantamos uma área, ela também depende da educação ambiental, da conscientização e do envolvimento das pessoas que vivem e atuam no território. Guias, brigadistas, gestores públicos e comunidades são parceiros fundamentais nesse processo”, destaca.

Bárbara explicou ainda que a formação também buscou aproximar dois temas que caminham juntos na paisagem do Cerrado: a água e o fogo. “Buscamos mostrar que o Manejo Integrado do Fogo e a restauração fazem parte da mesma estratégia de conservação. Trabalhar com fogo de forma planejada também é cuidar da biodiversidade e dos recursos hídricos. Durante o curso discutimos desde a importância dos campos úmidos e da queima prescrita até as experiências práticas de restauração desenvolvidas na Chapada”, acrescenta.

Para ela, um dos principais resultados da atividade foi a construção coletiva do conhecimento. “Foi uma troca muito rica. Todos participaram como mediadores de saberes, compartilhando experiências e aprendizados. O que levamos daqui vai muito além das técnicas de restauração. Estamos fortalecendo uma rede de pessoas comprometidas com o futuro do Cerrado.”

Participante da formação, Carolina Tomaz Barbosa destacou que não era o público-alvo do curso, mas para ela o encontro foi bem rico.  “Trabalho com a questão do desenvolvimento ecoscial sustentável, pensar soluções de forma ecossisteêmica de modelos de economia. E a questão socioambiental é fundamental nessa equação, e para isso conhecer mais dos nossos biomas. E o curso me trouxe isso, conhecer mais sobre o Cerrado e as pessoas que estão atuando nele, para sua preservação. Foi muito bom sair da bolha e estar em contato com todo o conhecimento e pessoas que estavam ali. Muitas trocas potentes!”

Além da capacitação técnica, a formação buscou ampliar a consciência sobre a importância dos campos úmidos e reforçou o papel do Manejo Integrado do Fogo como ferramenta para reduzir incêndios de alta intensidade e manter processos ecológicos naturais.” Para mim foi uma riqueza imensa. Trabalho com a questão do desenvolvimento ecossocial sustentável, pensando em soluções de forma ecossistêmica de modelos de economia. E a questão socioambiental é fundamental para isso conhecer mais dos nossos biomas. E o curso me trouxe isso, conhecer mais sobre o Cerrado e as pessoas que estão atuando nele, para sua preservação. Foi muito bom sair da bolha e estar em contato com todo o conhecimento e pessoas que estavam ali. Muitas trocas potentes”, avalia Carolina Tomaz Barbosa, participante da formação. 

Projeto

A formação integra as ações do projeto Sementes do Cerrado: caminhos para o fortalecimento da cadeia da restauração ecológica inclusiva nos corredores da biodiversidade, executado pela Rede de Sementes do Cerrado (RSC). A iniciativa promove a restauração ecológica em áreas prioritárias do Cerrado, aliando conservação ambiental, fortalecimento da cadeia de sementes nativas, inclusão produtiva e protagonismo comunitário.

O projeto é financiado pelo Edital Corredores da Biodiversidade, da iniciativa Floresta Viva, promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com apoio da Petrobras e gestão do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).

 

Fotos: Barbara Pacheco/VerdeNovo Sementes

 

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