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Apoiada pela RSC, pesquisa investiga como o fogo influencia sementes nativas do Cerrado

Presente na dinâmica natural do Cerrado há milhões  de anos, o fogo exerce um papel importante na regeneração da vegetação e no equilíbrio ecológico do bioma. Mas de que forma as queimadas influenciam nas sementes usadas na restauração ecológica? Essa é a pergunta que guia a pesquisa da bióloga Anna Cecília Batista Maia, desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB) com apoio da Rede de Sementes do Cerrado (RSC), por meio da Assessoria de Pesquisa da Rede.

O estudo investiga como diferentes regimes de fogo afetam a produção e a qualidade das sementes de gramíneas nativas do Cerrado, bem como a germinação e o desenvolvimento das plântulas dessas espécies.

A pesquisa foi realizada no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV), em Goiás, em áreas com diferentes históricos de queimadas com queima precoce, queima tardia e áreas sem ocorrência de fogo há mais de três anos. Foram analisadas sementes de três espécies de capins nativos amplamente utilizados na restauração do bioma, sendo eles: Aristida gibbosa (Capim aristida), Axonopus aureus (Capim pé-de-galinha) e Schizachyrium sanguineum (Capim roxo).

Segundo Anna Cecília, compreender como essas espécies respondem ao fogo pode ajudar a tornar a restauração ecológica mais eficiente e adaptada à realidade do Cerrado. “A pesquisa busca entender como o fogo influencia a qualidade das sementes e a capacidade dessas espécies se estabelecerem no ambiente. Isso contribui diretamente para melhorar estratégias de coleta, manejo e uso de sementes nativas”, explica.

Os resultados parciais mostram que os efeitos do fogo variam conforme a espécie analisada. Em algumas situações, áreas sem queimadas recentes apresentaram sementes com melhor germinação. Já em outros casos, determinados tipos de queima favoreceram sementes mais vigorosas.

Além da germinação, a pesquisa também avalia o crescimento das plântulas, velocidade de emergência, biomassa e a qualidade interna das sementes por meio de imagens de raios X. Parte dessas análises foi realizada durante um intercâmbio entre laboratórios promovido em parceria entre o Laboratório de Sementes Nativas e Restauração da UnB (LaSeNa) e o Laboratório de Análise de Sementes Florestais da Universidade Federal de Viçosa (LASF-UFV), coordenado pela professora doutora Lausanne de Almeida.

A atividade reuniu pesquisadores e estudantes em uma troca de experiências sobre técnicas de análise da qualidade de sementes florestais e nativas do Cerrado. Durante o intercâmbio, Anna Cecília e integrantes da Assessoria de Pesquisa da RSC realizaram análises de raios X nas sementes de capins, utilizando metodologias aplicadas pelo laboratório da UFV.

Gestora da Assessoria de Pesquisa da RSC, Jamily Pereira, explica que a iniciativa buscou fortalecer o intercâmbio técnico entre os grupos de pesquisa e ampliar o uso de novas metodologias voltadas à análise de sementes nativas. “O intercâmbio foi uma oportunidade importante de troca de conhecimentos entre os laboratórios. Além de conhecer novas técnicas e metodologias, conseguimos aplicar essas análises diretamente nas sementes estudadas pela pesquisa, fortalecendo a produção de conhecimento sobre espécies nativas do Cerrado”, destaca.

Para Anna Cecília, o estudo ajuda a ampliar o conhecimento sobre a relação entre manejo do fogo e restauração ecológica no Cerrado. “O Cerrado é um bioma adaptado ao fogo, mas ainda existem muitas perguntas sobre como diferentes regimes de queima afetam as sementes das espécies nativas. Entender esses processos é essencial para fortalecer a restauração ecológica”, afirma.

Integrada às ações da Assessoria de Pesquisa da RSC, a dissertação reforça a importância da ciência aplicada na conservação do Cerrado e no fortalecimento da cadeia de sementes nativas utilizada em projetos de restauração em diferentes regiões do bioma.

A pesquisa contou com o apoio da RSC, do LaSeNa-UnB, do LASF-UFV, do Laboratório de Ecotoxicologia e Ecofisiologia de Insetos da UFV e do WWF-Brasil por meio do projeto Sementes do Cerrado: Qualidade e Restauração. A iniciativa é voltada à análise da qualidade de espécies nativas do Cerrado utilizadas ou com potencial de comercialização por redes apoiadas pela RSC. O projeto também busca ampliar o conhecimento sobre novas espécies de capins nativos com potencial de uso na restauração ecológica.



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