RSC e CEGAFI-UnB desenvolvem plataforma digital que fortalece a gestão da restauração ecológica no Cerrado
Recuperar áreas degradadas no Cerrado exige planejamento, acompanhamento contínuo e a participação ativa de quem vive no território. Para tornar esse processo mais organizado e eficiente, a Rede de Sementes do Cerrado (RSC) em parceria com o Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar da Universidade de Brasília (CEGAFI/UnB) e o Instituto Avançado de Pesquisa e Estudos do Cerrado (IAPEC), por meio do projeto Tecendo Redes e Restaurando Cerrado, está implantando uma plataforma digital voltada à gestão da restauração ecológica inclusiva e produtiva.
Desenvolvido inicialmente pelo CEGAFI/UnB em parceria com o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), o RADIS Cerrado reunia em um único aplicativo recursos como GPS, registro fotográfico e coleta de dados ambientais. Esta nova ferramenta nasceu a partir da reestruturação do aplicativo RADIS Cerrado e evoluiu para uma nova plataforma acessível por celular Android e iOS, bem como pela web, ampliando possibilidades de uso em campo e no escritório.
A proposta é reunir, em um só ambiente, informações sobre diagnóstico ambiental, monitoramento de áreas restauradas, dados socioeconômicos e acompanhamento produtivo, apoiando projetos conduzidos junto a comunidades locais, agricultores familiares e povos tradicionais.
Coordenador de Tecnologia do Cegafi-UnB, Raphael Resende explica que o principal objetivo da Plataforma Radis Cerrado é facilitar o monitoramento dos processos de restauração. Para que isso ocorra de forma efetiva, foi necessário compreender o protocolo junto aos profissionais que atuam diretamente em campo. “A partir dessa construção colaborativa, foi possível traduzir o protocolo para um formato mais acessível e aplicável no cotidiano. Outro avanço importante foi a ampliação do acesso à plataforma. Hoje, o sistema pode ser utilizado em qualquer computador ou smartphone, inclusive em modo offline. Isso possibilita que os usuários realizem coletas e acompanhem seus monitoramentos mesmo sem conexão com a internet. Posteriormente, ao retomarem o acesso à rede, os dados são sincronizados automaticamente ao reabrir o sistema, garantindo continuidade e segurança das informações”, acrescenta.
De acordo com a coordenadora do Núcleo de Pesquisa da RSC, Jamily Pereira, um dos principais diferenciais da plataforma é ter sido pensada especialmente para a realidade do Cerrado. “Enquanto muitas ferramentas disponíveis no mercado são desenvolvidas com foco em áreas florestais, o novo sistema considera características próprias das formações savânicas e campestres do bioma, além de ter sido pensado para uso por técnicos comunitários e moradores dos territórios”.
Mais do que uma ferramenta de coleta de dados, o novo aplicativo funcionará como uma plataforma de gestão de áreas de restauração, como explica a coordenadora do Núcleo de Restauração, Maria Eduarda Camargo. “A ferramenta integra informações de diagnóstico, dados socioeconômicos e dados da vegetação nativa, contribuindo para uma gestão mais eficiente, especialmente pelas comunidades. Neste momento, o uso do aplicativo ainda é interno, e a possibilidade de novos aportes para sua abertura, com ampliação de acesso e aprimoramento na exportação de dados, está em avaliação para futuras captações de recursos.
Coletividade
Durante o processo de desenvolvimento, representantes das comunidades participaram de testes para avaliar formulários, interface e navegação. As contribuições ajudaram a adequar perguntas e funcionalidades, tornando a experiência mais intuitiva para quem atua diretamente no campo.
Testes
Em fase de testes, atualmente a plataforma opera como um Produto Mínimo Viável (MVP). A equipe realiza ajustes técnicos, revisa formulários e prepara a inclusão de novas funcionalidades antes da abertura para uso ampliado com parceiros e técnicos comunitários.
Para a Rede de Sementes do Cerrado, a iniciativa reforça que inovação tecnológica e conservação ambiental podem caminhar juntas, especialmente quando colocam as comunidades como protagonistas do processo de restauração.
Sobre o Projeto
O projeto Tecendo Redes e Restaurando Cerrado aposta na inclusão social como caminho para fortalecer a restauração ecológica no bioma. Executado pela Rede de Sementes do Cerrado, a iniciativa busca ampliar a participação de comunidades locais, povos tradicionais e grupos comunitários em diferentes etapas da cadeia produtiva da restauração. Com atuação no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Pará e Tocantins, o projeto prevê treinamentos técnicos, intercâmbio de experiências entre lideranças, formação de multiplicadores e o uso do aplicativo Radis Cerrado para diagnóstico e monitoramento de áreas em restauração.