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SOBRE 2026: RSC apresenta técnicas para fortalecer a restauração do estrato rasteiro do Cerrado

A restauração ecológica do Cerrado vai muito além do plantio de árvores. Recuperar gramíneas, ervas e outras espécies que compõem o estrato rasteiro é um dos principais desafios para restabelecer o funcionamento dos ecossistemas abertos do bioma. O tema foi destaque nesta terça-feira (28), durante a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026), na palestra “Técnicas utilizadas para a reintrodução do estrato rasteiro em ecossistemas abertos no Cerrado”, ministrada pelo Supervisor  de Restauração da Rede de Sementes do Cerrado (RSC), Augusto Cesar Silva Coelho.

A apresentação integrou o simpósio “Desafios e aprendizados para a restauração de ecossistemas abertos”, que reuniu pesquisadores e especialistas para discutir os avanços científicos, tecnológicos e práticos relacionados à recuperação de ambientes de dossel aberto no Brasil.

Durante a palestra, Augusto apresentou experiências desenvolvidas pela Rede de Sementes do Cerrado e parceiros em projetos de restauração ecológica, destacando diferentes estratégias utilizadas para reintroduzir espécies do estrato rasteiro, componente fundamental para a conservação da biodiversidade, a proteção do solo e o equilíbrio ecológico do Cerrado.

Segundo o pesquisador, embora a semeadura direta seja hoje uma das principais técnicas empregadas, ela não é a única alternativa disponível para recuperar esses ambientes. “A semeadura direta continua sendo uma das principais estratégias para introduzir espécies do estrato rasteiro, mas também estamos testando outras técnicas que vêm apresentando resultados promissores. O transplantio de touceiras, por exemplo, é uma alternativa pouco utilizada e que tem demonstrado grande potencial para a reintrodução de gramíneas nativas”, explica.

Além da semeadura direta e do transplantio de touceiras, Augusto apresentou experiências com hidrossemeadura e técnicas de nucleação, abordando as vantagens, limitações e possibilidades de aplicação de cada método em diferentes contextos de restauração.

Para o especialista, ampliar o conhecimento sobre essas técnicas é fundamental para superar um dos principais gargalos da restauração de ecossistemas abertos. “Quando falamos em restauração, muitas vezes o foco recai sobre as árvores. Mas os campos e savanas do Cerrado dependem da recuperação das gramíneas, ervas e demais espécies que compõem o estrato rasteiro. Restaurar esses ambientes significa reconstruir toda a sua complexidade ecológica”, acrescenta. 

O simpósio também contou com apresentações da pesquisadora Franciele Parreira Peixoto (SEMAD-GO), que abordou o cenário atual da restauração de ecossistemas abertos; de Claudomiro de Almeida Cortes, da Associação Cerrado de Pé (ACP), que discutiu estratégias para ampliar a diversidade e a quantidade de sementes coletadas; e de Rodrigo Dutra da Silva (Ibama/RS), que compartilhou experiências de restauração dos campos nativos do Pampa.

A atividade integrou a programação técnica da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026), realizada na Universidade de Brasília (UnB), reunindo pesquisadores, restauradores, estudantes e representantes de organizações socioambientais para discutir soluções capazes de fortalecer a restauração ecológica em diferentes biomas brasileiros.

 

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