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SOBRE2026: RSC leva participantes à Chapada dos Veadeiros para vivenciar experiências em restauração ecológica do Cerrado

Mais do que conhecer técnicas de restauração ecológica, os participantes da Saída de Campo da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE2026) tiveram a oportunidade de vivenciar, nos dias 25 e 26 de julho, a realidade de quem faz da restauração uma prática cotidiana. Realizada na Chapada dos Veadeiros (GO), a atividade reuniu pesquisadores, estudantes, técnicos e representantes de organizações de diferentes regiões do país para uma imersão nas experiências conduzidas pela Rede de Sementes do Cerrado (RSC), pela Associação Cerrado de Pé (ACP) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Ao longo de dois dias, os participantes percorreram diferentes etapas da cadeia da restauração ecológica. Na Casa de Sementes da Associação Cerrado de Pé, em Alto Paraíso de Goiás, conheceram a organização da rede local de coletores de sementes nativas e participaram de atividades práticas de coleta em áreas de Cerrado. No segundo dia, visitaram áreas em processo de restauração no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, referência nacional no desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas de semeadura direta com espécies nativas.

Gestora de Restauração da Rede de Sementes do Cerrado, Maria Eduarda Camargo destaca que a experiência vai muito além da apresentação de técnicas de restauração. “Além das técnicas e estratégias utilizadas, o Dia de Campo também destacou o protagonismo das pessoas e das comunidades envolvidas nesse processo. Nossa proposta  foi mostrar como a restauração ecológica pode integrar conhecimento técnico, participação social e fortalecimento dos territórios. Na Chapada dos Veadeiros, em especial, foi justamente essa combinação entre conhecimento técnico, saberes locais, protagonismo comunitário e sentimento de pertencimento que permitiu avanços importantes nas técnicas e estratégias de restauração, muitos dos quais hoje influenciam iniciativas em outros territórios e fazem da região uma das principais referências para a restauração ecológica do Cerrado” ressalta. 

Um dos momentos mais marcantes da programação foi o contato direto com os coletores de sementes nativas, responsáveis por abastecer projetos de restauração em diferentes regiões do Cerrado. A atividade permitiu que os visitantes acompanhassem desde a identificação das espécies até as técnicas de coleta e beneficiamento das sementes, compreendendo o papel estratégico das comunidades locais na conservação do bioma.

Quilombola do Território Kalunga, Emilvelton Fernandes, conhecido como Ni, é presidente da Associação Cerrado de Pé (ACP), coletor de sementes nativas e mobilizador comunitário. Para ele, receber participantes de diferentes regiões do Brasil fortalece o trabalho desenvolvido pelas comunidades.  “Para mim, foi um momento muito especial. Foi uma grande troca de experiências. Eles trouxeram muitos conhecimentos novos para nós e, ao mesmo tempo, puderam conhecer um pouco da nossa experiência com a coleta de sementes, o beneficiamento e o trabalho de restauração ecológica que desenvolvemos aqui. Essa troca é muito importante e fortalece o trabalho de todos nós”, acrescenta. 

Diretor de Restauração da Associação Cerrado de Pé e coletor de sementes nativas, Claudimiro Cortes também destaca o reconhecimento conquistado pelo trabalho comunitário ao longo dos anos. “Para nós, coletores, é muito gratificante. É um trabalho que realizamos desde 2009 e, ao longo dos anos, temos conquistado cada vez mais visibilidade. Receber os participantes da Conferência Brasileira de Restauração Ecológica, aqui na Chapada dos Veadeiros, para conhecer o trabalho da Associação Cerrado de Pé nos deixa muito felizes, porque mostra que estamos no caminho certo. O mais bacana é que essa visita também proporciona uma troca de experiências com outros projetos. Essa troca só fortalece e enriquece o trabalho que desenvolvemos aqui”, reforça.

Além de conhecer as iniciativas locais, os participantes puderam compreender como a restauração ecológica depende da articulação entre conhecimento científico, políticas públicas e saberes construídos nos territórios.

Entre eles estava Yara Borges, da Secretaria Executiva da Nativas Brasil – Associação Brasileira dos Produtores de Sementes e Mudas Nativas, que participou dos dois dias de atividades. “Hoje eu estou realizando um sonho. Sempre quis conhecer a Associação Cerrado de Pé e a Rede de Sementes do Cerrado. Eu defendo essa causa e trabalho todos os dias pelo fortalecimento e pela estruturação da produção de espécies nativas no Brasil. Poder conhecer tantos coletores em campo, acompanhando a coleta de sementes e entendendo de perto esse trabalho que torna possível a reconstrução dos ecossistemas degradados do nosso país, é uma experiência muito especial”, completa.

A SOBRE

A programação integrou as atividades da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE2026), realizada entre os dias 27 e 31 de julho, na Universidade de Brasília (UnB). Com o tema “Inclusão e Justiça Climática”, a conferência está reunindo pesquisadores, povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, gestores públicos, organizações da sociedade civil, empresas e restauradores de diferentes regiões do país para discutir caminhos capazes de ampliar a restauração ecológica e fortalecer a conservação do Cerrado.

 

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