Roda de conversa reúne brigadistas, guias e especialistas para debater restauração e manejo do fogo na Chapada dos Veadeiros
Brigadistas, guias, pesquisadores, representantes de órgãos ambientais e moradores da região participaram, na última sexta-feira (8), da Roda de Conversa sobre Restauração de Campos Úmidos e Manejo Integrado do Fogo, realizada em Alto Paraíso de Goiás. A atividade foi promovida pelo Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV), pela VerdeNovo Sementes e pela Rede de Sementes do Cerrado (RSC), reunindo diferentes atores do território para discutir estratégias de conservação e restauração no Cerrado.
O encontro integrou o projeto Sementes do Cerrado: caminhos para o fortalecimento da cadeia da restauração ecológica inclusiva nos corredores de biodiversidade, financiado pelo Edital Corredores da Biodiversidade, da Iniciativa Floresta Viva, promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com apoio da Petrobras e gestão do FUNBIO.
Realizada no campus da UnB Cerrado, a roda de conversa teve como foco ampliar o diálogo sobre a restauração e conservação dos campos úmidos, áreas consideradas sensíveis e estratégicas para a manutenção dos recursos hídricos e da biodiversidade da Chapada dos Veadeiros.
Coordenadora do Núcleo de Restauração da RSC, Maria Eduarda Camargo explicou que o encontro surgiu de uma demanda construída junto ao Parque Nacional e foi direcionado a públicos que atuam diretamente no território. “Foi uma roda de conversa voltada principalmente para brigadistas e guias que atuam na região da Chapada dos Veadeiros e convivem diretamente com esses ecossistemas, servindo como replicadores dentro do território. ”, afirmou.
Ela destacou ainda que os campos úmidos enfrentam diferentes pressões na região, especialmente relacionadas ao uso inadequado de trilhas e à circulação em áreas frágeis. “Os guias têm um papel fundamental porque atuam diretamente com o turismo e possuem um grande potencial de multiplicação dessas informações dentro do território”, completou.
Ao longo da programação, os participantes compartilharam experiências sobre restauração ecológica, manejo do fogo e conservação. Analista Ambiental do PNCV e responsável pela agenda de proteção da Unidade de Conservação, Sandro Raphael Borges destacou que a atividade contribuiu para ampliar o entendimento da sociedade sobre as ações de restauração ecológica e manejo integrado do fogo desenvolvidas dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. “O encontro também possibilitou a troca de experiências entre brigadistas da Chapada e profissionais de outras unidades de conservação, fortalecendo o intercâmbio de técnicas de ignição e estratégias utilizadas nas queimadas prescritas. Eventos como este contribuem muito para a divulgação do manejo integrado do fogo, que vai além da realização de queimadas prescritas. A restauração ecológica também faz parte dessa estratégia e é um componente importante da gestão do fogo dentro do parque”, afirmou.
Atividades práticas
A roda de conversa também promoveu um intercâmbio entre brigadistas da Chapada dos Veadeiros e representantes de Biribiri, em Minas Gerais. Após os debates, os participantes seguiram para uma atividade prática na área de Cerrado dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, onde acompanharam uma ação de queima prescrita.
A prática permitiu que os participantes observassem técnicas utilizadas no manejo integrado do fogo e compreendessem a importância do uso controlado do fogo para a conservação do bioma. Durante a atividade, brigadistas compartilharam experiências sobre planejamento, segurança e os benefícios ecológicos da queima prescrita na prevenção de incêndios de grande intensidade.
Para Bárbara Pachêco, CEO da VerdeNovo Sementes, instituição responsável pela restauração da área turística “Sertão Zen” no âmbito do projeto — localizada dentro do parque e marcada pela presença de trilhas em campo úmido —, o encontro reforçou a importância da construção coletiva entre os diferentes atores do território. “A ideia é despertar a Chapada dos Veadeiros para essa união entre restauração ecológica e manejo integrado do fogo, fortalecendo também esse processo contínuo de escuta e aprendizado coletivo”, finalizou.