Com a crescente degradação do Cerrado, é necessário que pesquisas sejam direcionadas ao insumo básico da restauração: a semente. Se tornando fundamental o conhecimento acerca da germinabilidade, viabilidade e longevidade das espécies utilizadas na restauração de áreas degradadas, visto que, quando coletadas em grande quantidade, muitas sementes não são utilizadas imediatamente em plantios e portanto são armazenadas. Sendo assim, neste estudo avaliou-se o efeito do tempo de armazenamento na germinabilidade e viabilidade de Enterolobium contortisiliquum, Guazuma ulmifolia , Hymenaea courbaril e Terminalia argentea, coletadas em 2020, 2021 e 2022 na região da Chapada dos Veadeiros e armazenadas no Laboratório de Termobiologia da Universidade de Brasília.
Foram realizados três testes: Peso de Mil Sementes, Teste de Germinação e Teste de Tetrazólio. Para o teste de germinação, todas as espécies precisaram de técnicas para superação de dormência, sendo que para E. contortisiliquum, H. courbaril e T. argentea foi utilizada a escarificação mecânica e para G. ulmifolia foi utilizado água quente à 70°C até que atingisse 50°C; foram utilizadas 100 sementes divididas em 10 repetições colocadas em câmara de germinação a 28°C e fotoperíodo de 12 horas. Para o Teste de Tetrazólio foram utilizadas 50 sementes que passaram pelo processo de superação de dormência antes do processo de pré-embebição para que fossem imersas na solução de 2,3,5 trifenil cloreto de tetrazólio a 0,5%, e colocadas em câmara de germinação a 28°C no escuro. As sementes foram analisadas e classificadas em Classe I (viável), Classe II (viável mas com menor potencial germinativo), Classe III (inviável).
Para E. contortisiliquum a germinabilidade foi acima de 80% para os três anos; em contrapartida para os três anos de H. courbaril, a germinação foi inferior a 30%; com G. ulmifolia os resultados foram inferiores a 50%; e por fim T. argentea registrou apenas 2% de germinabilidade no lote de 2021. O teste de tetrazólio demonstrou alta viabilidade para E. contortisiliquum e H. courbaril, apesar de que para H. courbaril a maior parte das sementes foram classificadas como Classe II; já para G. ulmifolia o teste registrou alta viabilidade para no ano de 2022, sendo que para os anos de 2020 e 2021 foi registrado cerca de 40% de viabilidade, mas metade dessas sementes foi classificada como Classe II.
Portanto, dentre as espécies trabalhadas, apenas E. contortisiliquum e G. ulmifolia poderiam ser armazenadas por mais de um ano antes de sua utilização em plantios.