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Contra veneno de cobra

Poderoso antídoto para lesões causadas pela mordida de algumas serpentes do Centro-oeste brasileiro é encontrado na casca do ipê-amarelo nativo do Pantanal. A descoberta confirma uma antiga tradição do interior.

Por: Henrique Kugler

Contra veneno de cobra

A temida jararaca (‘Bothrops jararaca’) habita uma área que vai da Bahia até o Rio Grande do Sul, chegando também ao Paraguai e à Argentina. (foto: Fernando Tatagiba/ Wikimedia Commons – CC BY 3.0)

Jararaca (Bothrops jararaca), boca-de-sapo (Bothrops neuwiedi) e caiçaca (Bothrops moojeni) são temidas serpentes do centro-oeste brasileiro. Venenosas, suas mordidas podem arruinar muitas vidas. Ainda que nem sempre levem um ser humano à morte, costumam causar graves estragos no corpo das vítimas – severas inflamações, edemas, hemorragias... E até necrose dos tecidos no local onde foi inoculado o veneno. Não são raros os casos de amputação decorrentes desses impiedosos ataques.

Mas já dizia uma música do violeiro paulista Renato Teixeira: “As plantinhas do mato / Curam caxumba / Quebranto e lumbago / Veneno de cobra / Bronquite, pigarro”.

Parece ser esse o caso. Estudos da farmacologista Mônica Kadri, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), confirmaram que uma ‘plantinha’ guarda poderoso antídoto contra lesões causadas pelo veneno de algumas serpentes. Estamos falando do ipê-amarelo (Tabebuia aurea) nativo do Pantanal.

Ipê-amarelo
O ipê-amarelo (‘Tabebuia aurea’) é encontrado em diversas regiões do Brasil. Mas, até onde se sabe, é somente nos espécimes do Pantanal que existe o antídoto para o veneno de serpentes. (foto: Wikimedia Commons/ J.M.Garg – CC BY 3.0)

O segredo já é velho conhecido dos pantaneiros. Para amenizar os efeitos da mordida das temíveis cobras da região, eles usam há gerações a casca desse tipo de ipê.

“Na região do Pantanal, antes de sair para o campo a trabalho, muitos ribeirinhos mascam a casca do ipê-amarelo, tomam infusões feitas com ela ou fazem garrafadas com a planta”, conta a pesquisadora da UFMS.

Para a ‘garrafada’, eles pegam a casca da árvore e colocam-na em uma solução alcoólica – que muitas vezes é pinga. Ingerida a poção, estarão prontos para enfrentar o dia. “Assim, se a cobra picar, o estrago não é tão grande”, garantem os pantaneiros.

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